A vida é um contínuo exercício de
ressignificar... Dar sentido ao que acontece (e do que não acontece!): eis uma
coisa que nos persegue desde tempos pré-históricos. É óbvio que a preocupação
do homem do paleolítico se baseava muito mais em questões pragmáticas. Na
antiguidade, do mito à razão, percebemos que a sede de explicar tanto fenômenos
naturais quanto sociais e políticos foi tomando proporções maiores. Atualmente,
pós-Marx, pós-Freud, pós-Foucault, satisfeitas nossas necessidades de
sobrevivência, presenciamos um mal-estar provocado pela falta de sentido de
muitas situações ou mesmo de muitos sentimentos, embora se tenha teorizado
exaustivamente e buscado respostas para tantas questões. Talvez, a crise da
razão esteja justamente aí: a ditadura do sentido. Por que tudo tem que ter
sentido? Por que temos que entender tudo? Como se tivéssemos tal competência?!
Será que esse desejo exacerbado de querer tudo explicar não tem causado um
vazio ainda maior? O que fazer com aquilo que não conseguimos dar significado?
E quando isso é um sentimento? Freud me diria, com certeza, que teria uma
explicação no seu arcabouço teórico-metodológico-psicossexual!!!
E sobre sentimentos e desilusões:
que tarefa difícil é ressignificar... Mudar o curso do que está posto...
Rearrumar, reacomodar, refazer... Dói, mas é preciso! É preciso, mas dói! Só se
aprende a ressignificar ressignificando... feliz ou infelizmente! Às vezes, dar
sentido é tão-somente aceitar... que perdeu... aquilo... ou aquele/a...