segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O sofrimento e a questão do que fazer

Todos nós temos dores, sofrimentos! A questão não é se sofremos ou não; mas o que temos feito com essas dores e sofrimentos. Estamos deixando que eles determinem a nossa vida? Entramos nos nossos quartos e nos fechamos junto com eles?
Hoje conheci uma senhora e aprendi muito ouvindo suas palavras, simples, porém carregadas de significado. Dona Cleide, com seus 60 anos, é uma senhora que vive só e cuida de cinco cachorros; quatro deles ela encontrou na rua. Dizia ela: “se eu não me ocupar com meus bichos, eu vou ficar fazendo o que em casa? O dia todinho na frente da televisão? Eu vou entrar em depressão...” Quanta sapiência! Dona Cleide aprendeu com a vida! E com que amor ela cuida dos seus animais! Contou que uma vez sua cadelinha estava muito mal e, mesmo tendo pavor, teve que levá-la numa moto; gastou cinquenta reais no aluguel do famigerado transporte, o que é muito dinheiro para uma pessoa que ganha um salário. Fiquei impressionado com a alegria com que ela contava como conseguiu salvar sua cachorrinha; qual carinho no cuidado com a alimentação... Na verdade, Dona Cleide encontrou uma ótima maneira de lidar com o sofrimento de estar só!
Mês passado um amigo meu sofreu um grave acidente. Ele me ligou do hospital, com fala ofegante. Tinha fraturado a vértebra e a costela, consequentemente perfurando o pulmão. O mais surpreendente era o que dizia no telefone:  “e aê irmão, como é que tu tá? Conta as novidades? Saudade de tu...” Puts, o cara todo quebrado, tomando sedativo o tempo todo por não suportar a dor, e perguntando como era que eu estava?! Ele, sem saber, ensinou-me: o primeiro passo, ou o principal, para a cura das nossas dores é nos abstermos de olhar e/ou de dar importância para elas! Parar de ficar olhando para nossos umbigos e perceber que existe um mundo girando ao nosso redor! Preocupar-se com as dores do/a próximo/a ameniza/cura as nossas!
Às vezes, não nos permitimos acreditar nas possibilidades, nas soluções possíveis; não sei, talvez por comodismo mesmo... É preciso que sejamos senhores dos nossos problemas e não o contrário. Conheço muita gente com quadro depressivo por ter deixado que os sofrimentos determinassem as suas vidas. Não é o sofrimento em si a causa da depressão e da letargia emocional; mas como lidamos com ele. Por que não expurgar aquela mágoa de outrora? Por que não perdoar? Por que não buscar ocupações saudáveis as quais ajudem nesse processo? Por que não pensar mais no/a outro/a? Talvez devêssemos seguir o exemplo da personagem do Pálpebras de Neblina, de Caio Fernando Abreu: “Um amigo me chamou pra cuidar da dor dele, guardei a minha no bolso. E fui.”
PS: aprofundarei essas ideias posteriormente!


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